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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

A incumbência de criar pensadores

 

Crédito da imagem: Observatório de Educação e Sustentabilidade


O livro de autoria de Paulo Freire, Autonomia da Pedagogia, que influenciou o plano de educação da UFSB fala sobre as diretrizes do educador, que vai além de ensinar o que se sabe. O docente deve está aberto ao aprendizado, se permitindo aprender enquanto ensina. O autor alerta sobre o dever de usar os conflitos vividos em ambiente escolar que são sempre repletos de significados e que possibilitam o professor levar o estudante ao pensamento crítico, aproveitando as experiências vividas pelos estudantes para ensinar sobre a importância do respeito entre as diferenças, sejam elas econômicas, sociais, culturais ou raciais, que embora sendo temas sempre abordados nunca são defasados. O autor usa uma experiência vivida por si mesmo como exemplo de como um gesto de um docente pode ter uma grande influência na vida do educando;
 

 O professor trouxera de casa os nossos trabalhos escolares e, chamando-nos um a um, devolvia-os com o seu ajuizamento. Em certo momento me chama e, olhando ou re -olhando o meu texto, sem dizer palavra, balança a cabeça numa demonstração de respeito e de consideração. O gesto do professor valeu mais do que a própria nota dez que atribuiu à minha redação. O gesto do professor me trazia uma confiança ainda obviamente desconfiada de que era possível trabalhar e produzir. De que era possível confiar em mim mas que seria tão errado confiar além dos limites quanto errado estava sendo não confiar. A melhor prova da importância daquele gesto é que dele falo agora como se tivesse sido testemunhado hoje. E faz, na verdade, muito tempo que ele ocorreu. (FREIRE, Paulo, 2002, p.19)

  Paulo Freire que em seu livro se descreve como um estudante cheio de inseguranças quanto a sua capacidade intelectual por conta de sua aparência física e condição social,  aponta através da memória compartilhada que embora a atitude talvez tenha passada despercebida pelo educador, causou um grande impacto na sua autonomia quanto estudante, sendo um gesto nunca esquecido. Trazendo a reflexão da responsabilidade do docente em criar um ambiente em que todos possam se sentir seguros para exercitar sua autossuficiência.


Referências: FREIRE, Paulo. AUTONOMIA DA PEDAGOGIA. 25. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.                                                                                                                     

Imagem disponível em https://obesunifesp.wixsite.com/website/sobre. Acesso em 27 de Out de 2021.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

É urgente a necessidade da reforma do ensino superior no Brasil

 


Disponível em: <https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.066/408>


O Brasil é um país com sistema educacional superior extremamente arcaico, em que os estudantes são obrigados a escolher o curso que deseja se formar assim que ingressa na universidade, sendo que na maioria das vezes a escolha por esse curso, é feita através de imposição dos pais, ou desejo de um sonho de infância. E a partir do início das aulas geralmente não se identificam com o curso, se deparando com uma área totalmente diferente do que esperava, fazendo com que desista da carreira inicialmente escolhida, ou passando longos 4, 6 anos estudando uma profissão que não deseja seguir.

A Academia de Ciências Brasileira através de uma solicitação do MEC visando contribuir nessa reforma, criou um grupo para discutir sobre esse tema, e uma das propostas realizadas seria a criação de um ciclo básico com três grandes áreas: Ciências Básicas e Engenharias; Ciências da Vida e Humanidades; Artes e Ciências Sociais, formados por ciclos de curta duração, no qual somente os melhores alunos teriam acesso a todas as carreiras.

Se essa proposta fosse aceita, além de aumentar o grau de interesse dos alunos, que teriam que se dedicar ainda mais para obter boas notas e ter acesso a escolher a carreira que quiser, diminuiria muito os índices de desistência ao longo dos cursos, permitindo que após alguns anos de estudo o estudante tenha oportunidade de seguir a carreira que mais se identificou.


Fonte: SUBSÍDIOS PARA A EDUCAÇÃO SUPERIOR (Academia Brasileira de Ciências, 2004)